Gastronomia Afrodisíaca

As experiências relatadas por usuários de afrodisíacos indicam que o melhor efeito é proveniente da combinação de vários tipos de substâncias de modo a abranger a satisfação dos cinco sentidos do corpo humano: visão, audição, tato, olfato e paladar. A Enciclopédia Britânica refere que:

A combinação de várias reações sensoriais – a satisfação visual ao ver os alimentos apetitosos, a estimulação olfativa dos seus agradáveis odores e a gratificação tátil que é concedida aos mecanismos orais por pratos ricos e saborosos – tendem a conduzir a um estado de euforia geral favorável à expressão sexual”.

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Poções, ungüentos, pós e substâncias in natura foram agregados a uma gastronomia específica, que traz beleza aos olhos, prazer aos odores e acende o paladar. Assim, não são consumidos individualmente as frutas, os legumes, as raízes e as bebidas consideradas afrodisíacas, pois tais elementos compõem um conjunto (a parceria, o ambiente, a música, as cores, os perfumes, os cosméticos) da experiência amorosa.

Um prato interessante, bem produzido, com toque exótico seduz e ao longo da história da humanidade uniu a gula à luxúria. Importante lembrar também que os alimentos estão relacionados a movimentos como morder, chupar, lamber, sorver e sugar, que estão intimamente ligados ao ato sexual.

A seguir são relacionados os alimentos que desde a Antigüidade até hoje estão vinculados ao aumento ou manutenção do desejo sexual.

ALIMENTOS

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Abacate: a palavra provém do asteca awacatl, que significa testículos. Durante a sua colheita as virgens astecas eram proibidas de sair de casa.

Açafrão: ingrediente chave em vários pratos afrodisíacos, teria a propriedade de estimular a zona genital.

Aipo: contém vitaminas A, B, C e minerais. Atua nos músculos e ajuda a liquefação do sangue; também é usado para reduzir o nível de colesterol e manter as artérias desobstruídas. Há uma história de que Madame Pompadour teria criado uma sopa de aipo para Luis XV, a fim deste manter o interesse sexual por ela. Mas a tradição é mais antiga, pois gregos e romanos dedicavam o aipo a Plutão, deus do sexo e do inferno.

Alcachofra: há algo de ritualístico no processo de despir a alcachofra, removendo suas folhas uma a uma para molhá-las num molho de azeite, limão, sal, e pimenta. Depois, para chegar ao “coração” da alcachofra abre-se uma região repleta de fibras, semelhantes a pêlos, para finalmente saborear o que estas fibras encobrem.

Alho: seu uso foi difundido entre os egípcios, gregos, romanos, chineses e japoneses. Em alguns casos o alho é usado externamente, por exemplo, misturando-se seus dentes esmagados com banha de porco e depois esfregando no pênis para ajudar na ereção. Possivelmente grande parte dos efeitos afrodisíacos do alho está associada ao fato dele tornar a comida mais apetitosa, estimulando a secreção de suco gástrico, aumentando o apetite e contribuindo para uma sensação de bem-estar. A substância química responsável pelo forte odor do alho também está presente nas secreções vaginais. O alho auxilia na circulação o que contribuiria para o bom funcionamento dos órgãos sexuais.

Alho-poró: na Grécia e em Roma era considerado um afrodisíaco, possivelmente por sua forma fálica.

Almíscar: substância escura de odor muito acentuado, extraída de uma glândula situada sob a pele do abdome dos cervos jovens que vivem no sudeste asiático. Utilizada para tratar epilepsia, coqueluche, febre tifóide e doenças respiratórias. Também é apreciada por suas propriedades afrodisíacas. É reduzida em pó e espalhada sobre o alimento (causa vertigens se usada em excesso).

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Amendoim: concentra bastante vitamina E, importante para a produção de hormônios sexuais. Ao ser cozido ou torrado perde suas propriedades.

Arginina: aminoácido presente nos laticínios, na carne e no chocolate. Libera o óxido nítrico, um neurotransmissor que, ajuda o pênis a manter uma ereção duradoura.

Aspargos: por seu formato fálico, desde a Antigüidade foi considerado um dos maiores afrodisíacos. É rico em vitamina E.

Baunilha: a palavra baunilha sugere propriedades amorosas, pois provém do espanhol ‘vainila’, um diminutivo de ‘vaina’, que quer dizer vagina. Já era usada pelos astecas para dar sabor ao chocolate. É considerado um afrodisíaco poderoso que atua tanto pelo seu cheiro como pelo seu sabor. Só deve ser ingerida a baunilha natural; sua essência pode ser adicionada ao banho para produzir um suave estímulo amoroso.

Berinjela: classificada como estimulante, especialmente quando combinada com outros ingredientes eróticos como alho, cebola, pimenta e várias especiarias. Na Turquia há uma receita clássica chamada Imam Bayildi, cuja origem remonta a um imam que desmaiava de prazer quando sua concubina servia-lhe este prato. Em Bali, ao contrário, os homens não a comem porque acreditam que ela possa eliminar o desejo.

Casca de ovo de ema: os asiáticos atestam a eficiência do pó da casca do ovo de ema, assim como do de ave semelhante, o avestruz.

Cebola: têm sido atribuídos às cebolas, quase desde a pré-história, atributos afrodisíacos. Eles são mencionados em muitos textos hindus clássicos sobre a arte de fazer amor. Também os romanos, gregos e árabes a utilizavam freqüentemente como afrodisíaco. Durante a época dos faraós, sacerdotes egípcios em celibato eram proibidos de comer cebolas devido ao seu potencial efeito. Mais tarde, na França, era servida sopa de cebola aos recém-casados na manhã seguinte à noite de núpcias para restaurar a sua libido. O Sheik Nefzawi afirma em O Jardim Perfumado, escrito no século XVI, que Abu el Heiloukh depois de ter comido cebolas manteve seu pênis ereto por trinta dias seguidos.

Chocolate: contém o aminoácido triptofano que aumenta a produção de serotonina (responsável pela sensação de bem-estar). É feito com cacau, açúcar e outras substâncias aromáticas. Desde os astecas é considerado poderoso afrodisíaco. Eles tomavam uma bebida feita de cacau para homenagear a Deusa do Amor. O Imperador Montezuma tomava cerca de 50 taças por dia e teve 19 filhos.

Coentro: suas sementes secas produzem efeito de euforia, sobretudo nas mulheres. É utilizado em infusões com vinho.

Cravo: como afrodisíaco já era conhecido na China e logo chegou à Europa. O naturalista medieval dinamarquês H. Harpenstreng dizia que os cravos aumentavam o desejo do homem pela mulher além de melhorar a digestão. É tido como um dos mais potentes afrodisíacos naturais. É eficaz, também, para combater o cansaço mental e a perda de memória.

Feijão: para os teutônicos e romanos o feijão era um estimulante e sua flor simbolizava prazer sexual. A sopa de feijão tinha uma reputação erótica. No século XVII, os feijões foram banidos do Convento de São Jerônimo para prevenir excitações eróticas.

Figo: segundo o imaginário erótico, sua polpa assemelha-se ao órgão genital feminino.

Gengibre: nas Ilhas Salomão o gengibre é considerado muito eficiente na estimulação sexual. Por toda a Ásia, da China à Turquia, o gengibre tem reputação sólida de ser um forte afrodisíaco. Sabe-se que Madame du Barry, uma cortesã francesa do século XVIII, misturava gemas de ovos e gengibre para estimular seus amantes, dentre eles nobres e o rei.

Kava Kava: da família das pimentas, produz um efeito calmante, relaxando os músculos e reduzindo consideravelmente a ansiedade quanto ao desempenho sexual. Também muito usado para os casos de ejaculação precoce.

Mel: o manual sexual Jardim das Delícias afirma seus poderes afrodisíacos em uma história de um ancião que passou 50 dias tendo relações sexuais após ter ingerido, por 3 dias seguidos, ovos fritos em manteiga e embebidos no mel. A mistura do mel com as carnes também têm registros nas orgias durante o Império Romano.

Mocotó: prato preparado com pata de boi sem o casco. Era um afrodisíaco comum em Roma durante o século I. No Brasil é considerado, além de energético para pessoas desnutridas, um adjuvante para o bom desempenho sexual.

Mostarda: era adotada como afrodisíaco na Índia e a mesma fama chegou à Europa durante a Idade Média. Teria a propriedade de estimular a ação dos órgãos sexuais.

Noz-moscada: proveniente da ilha de Banda, na Indonésia, teria efeitos afrodisíacos se consumida em pequenas quantidades. Foi usada para esse fim por hindus, árabes, gregos e romanos. No Oriente era especialmente apreciada pelas mulheres. Pode ter efeitos negativos se consumida em grades quantidades.

Orégano: usado em infusão como agente estimulante.

Ostras: têm grande quantidade de fósforo, iodo e zinco. Este último elemento ajuda na produção de testosterona, o hormônio masculino fundamental para a excitação sexual. Quando Afrodite surgiu do mar na concha de uma ostra e logo deu à luz a Eros, deu também à luz a um novo afrodisíaco. Os romanos foram os primeiros a conhecerem os poderes afrodisíacos das ostras. Segundo biógrafos, Casanova consumia 50 ostras cruas todas as manhãs na banheira em companhia da mulher por quem estava interessado no momento.

Ovo de codorna: contém proteínas e vitaminas do complexo B, importantes para o bom funcionamento do organismo. No Brasil está invariavelmente associado a poderoso afrodisíaco, cuja ação foi imortalizada na letra de Severino Ramos e interpretada por Luiz Gonzaga: “Eu estava triste / Quase apavorado / Estavam me fazendo / De pobre coitado / Minha companheira / Tá feliz porque / Eu comprei ovo de codorna pra comer”. Outros tipos de ovos estão presentes nas mais variadas culturas, como os ovos de esturjão (caviar), provavelmente por serem um símbolo de fertilidade.

Pêssego: os chineses associavam o pêssego cortado ao meio com o órgão genital feminino. Na gíria inglesa peach house(casa do pêssego) significa prostíbulo.

Pimenta: a pimenta vermelha é rica no alcalóide capsiacina. É usada como afrodisíaco desde os egípcios, gregos e romanos. Os árabes não só adicionavam pimenta à comida mas também a usavam de outras formas. O Jardim Perfumado fornece a seguinte receita: mastigar uma pequena pimenta; colocar uma determinada quantidade sobre a cabeça do pênis e depois praticar o coito. Fontes indianas recomendam o consumo diário de um copo de leite com 6 pimentas pretas e 4 amêndoas esmagadas. Isto terá o efeito de um tônico para o sistema nervoso e revigorante sexual. Os romanos costumavam esfregar as plantas dos pés com pimenta e o pênis com urina de um touro que tivesse acabado de copular. Na América Latina, desde os astecas, maias e incas a pimenta, geralmente conhecida por chilli está associada aos rituais sexuais. No Brasil, a pimenta malagueta vermelha, longa, brilhante está constantemente presente no imaginário erótico.

Pinhões: os pinhões têm reputação afrodisíaca por todo o Mediterrâneo e no Leste Europeu. Teriam a propriedade de manter o vigor durante a relação sexual. Podem ser servidos como aperitivos ou fazer parte de pratos afrodisíacos.

Romã: de acordo com o Kama Sutra, o homem que se alimentar de romã poderá aumentar o tamanho do pênis. Na Europa ainda é considerado um fruto com poderes afrodisíacos.

Tomate: originário da América Latina, os espanhóis o levaram para a Europa e o chamaram de “maçã do amor”. Sua polpa vermelha, suculenta, sensual e sua pele macia fez com que na era do Descobrimento fossem pagas fortunas por um tomate.

Trigo: uma das mais antigas formas de alimentação humana e, assim como o arroz, representa fertilidade. O formato da cabeça do trigo é fálico, daí a associação com o erotismo. Na Antigüidade faziam-se formas de pão com moldes de genitais para as cerimônias ao deus Dionísio.

Trufas: são uma espécie de fungo também chamadas de ”testículos da terra“. Possuem sabor e aroma intensos, e grande reputação como afrodisíaco.

Vitamina B3: encontrada em peixes, aspargos e amendoins, ajuda a dilatar os vasos sangüíneos, causando ereção peniana e lubrificação vaginal.

BEBIDAS

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Consumidas em quantidade moderada, as bebidas alcoólicas diminuem a inibição e deixam a pessoa eufórica. Mas o excesso atua como um depressor do sistema nervoso e provoca a redução da libido.

Absinto: o absinto era muito usado no final do século XIX pelos artistas e intelectuais europeus, especialmente os franceses, como um afrodisíaco. O grande responsável por este culto ao absinto foi o poeta francês Paul Verlaine. O absinto, tomado moderadamente, é um bom agente contra problemas intestinais, mas o uso em excesso pode causar cegueira, câimbras e problemas cerebrais.

Aguardente: destilado proveniente de frutas como maça, uva e figo. É conhecida desde a Grécia. No Brasil é feita com cana-de-açúcar e recebe o nome de cachaça, embora existam dezenas de outras denominações conforme a região do país. A cachaça é item da cultura brasileira desde o tempo da colonização portuguesa, e desde o princípio relacionou-se a símbolos como virilidade, resistência e valentia. Sua conotação erótica é observada em nomes regionais dados à cachaça e aos próprios rótulos que ostentam arte pornográfica. Estas são algumas denominações dadas à cachaça: lágrima de virgem, levanta-velho, virgem afamada, amansa-corno, mata-o-velho.

Champanhe: está ligado ao charme, à sedução e aos rituais de conquista.

Licores: provocam sensação de grande bem-estar ao serem tomados após grandes refeições.

Vinho: o álcool dilata os vasos sangüíneos, favorecendo o fluxo até os órgãos genitais. O vinho tinto, misturado com gengibre, canela, cravo, baunilha e açúcar é considerado afrodisíaco e foi recomendado pelo autor francês Rabelais em Gargantua e Pantagruel.

Vinho do Porto: o vinho do porto branco é considerado um dos mais poderosos afrodisíacos, principalmente quando consumido com morangos, de preferência os silvestres. O vinho do porto tinto não provocaria o mesmo efeito.

Fonte: http://www.museudosexo.com.br

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